Visita guiada pela paisagem industrial

Visita guiada pela paisagem industrial

Foto: Paulo Pimenta

Um quartel dos bombeiros localizado, precisamente, em frente a um teatro. Coincidência? Um verdadeiro conhecedor da organização urbanística “ferreirina” – fruto da obra e legado de Narciso Ferreira, um dos maiores industriais portugueses – decerto saberá que “os teatros sempre foram lugares inflamáveis”, sendo, por isso, necessário apagar o mais pequeno sinal de “inflamação insurgente”. Mas será possível extinguir a de Paisagem Efémera – industrial e urbana? O segundo ato do projeto do Teatro da Didascália, que explora o impacto da industrialização em Riba d’Ave, e que se estreia já no próximo dia 21 de outubro, às 21h00, no Antigo Quartel de Bombeiros da freguesia de Vila Nova de Famalicão, vem mostrar que não. O espetáculo percurso, em cena até 24 de outubro, vai contar com participação do Grupo Coral da Associação Reformados da vila, responsável por dar voz ao património oral.
Uma excursão por Riba d’Ave, uma vila “Art Deco”. O convite para esta visita guiada à freguesia (re)conhecida pela sua forte relação à indústria têxtil é lançado logo na primeira cena de Paisagem Efémera – industrial e urbana, na qual um guia turístico recebe o público para esta viagem pela vila, recuando até ao período “ferreirino”. Nesta expedição é possível perceber um pouco melhor a arquitetura característica “da época”, observável nos vários exemplares do seu estilo espalhados um pouco por toda a vila: da fábrica localizada no centro (“enquanto motor do desenvolvimento económico e social”), ao edifício do mercado, quartel dos bombeiros, antiga estalagem, ou, o Café Riba d’Ave.
Riba d’Ave é uma vila que espelha a paisagem industrial e urbana do Vale do Ave, marcada pela “ocupação” sucessiva das margens do Rio Ave por fábricas e edifícios “de todos os géneros e feitios”. Aquilo que pode ser visto como desenvolvimento, com vantagens para o mundo “moderno” e “civilizado”, é questionado pelo Teatro da Didascália: “estamos exatamente a falar de vantagens para quem e a que custo?”. A realidade é que durante décadas o rio que nasce nas encostas da Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, com água pura e límpida, vai desaguar, em Vila do Conde, contaminado pela poluição das fábricas que descarregam nele os seus despojos.
O segundo ato de Paisagem Efémera – industrial e urbana pode ser visto de quinta-feira a domingo, às 21h00, no Antigo Quartel de Bombeiros de Riba d’Ave (em frente ao Teatro Narciso Ferreira). O preço dos bilhetes é de cinco euros, sendo que os ingressos podem ser adquiridos através da bilheteira online do Teatro da Didascália (teatrodadidascalia.bol.pt). No dia 21 de outubro, a sessão conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.